sexta-feira, 3 de abril de 2015

Jeongguk pra cadeia: agora pode!! (Não, é sério.)





Teje ressuscitado o blog (feat. Songa Mosca)!! Nossa, fazem uns bons quase 5 meses que eu não atualizo nada por aqui. Tanto por esquecimento tanto por falta de vontade, veio ano e eu não postei absolutamente nada. Porém, agora eu tô disposta a fazer posts com frequência por aqui!! Fighting!! Vamo que vamo!!

O assunto que eu tenho pra falar, however, não é tão animador assim. E eu não vou me prolongar muito nele, porque a minha opinião é muito sintetizável. Curta e direta. Simples e fácil de entender. Então podem se acomodar na cadeira do PC, beber um suquinho de morango e comer um sanduíchezinho com pão integral e ricota — porque a que voz fala tá #fitness agora — que lá vai o tema do post: maioridade penal (a redução da)!! (Eu ia usar o Jun no título, mas, sinceramente, todo o conceito de regime fechado combina muito mais com o danoninho. Jun é um poço de alegria, luz do sol e flores do campo. Jeongguk é um meliante.)

Pra quem não sabe, a coisa da redução da maioridade penal foi basicamente a ~ideia~ de diminuir a maioridade (a idade com a qual, basicamente, a pessoa já pode ser presa) dos 18 pros 16 anos. Uma pá de gente apoia fervorosamente essa ideia porque a quantidade de "marginaizinhos" que a gente vê pela rua, não é brinquedo não! Eles precisam arcar com as consequências dos seus atos, precisam ser punidos da mesma maneira que pessoas que já alcançaram a maior idade, eles dizem. De primeira, a ideia dessa redução faz até sentido. Quantas manchetes de jornal você vê por aí de menininhos com 10, 12, 14 anos assaltando, estuprando, cometendo crimes hediondos e saindo "impunes" de tudo por causa da idade?? Pois é. A pessoa, além de indignada, se sente ameaçada, intimidada e apavorada. Então, quando lida pela primeira vez, a ideia te parece até plausível, né? Porém, a longo prazo, a coisa toda iria dar errado.

(Nota: Uma pequena intro nos princípios da criminologia nos quais eu baseei meu raciocínio pra fazer esse textinho aqui. No início, as pessoas tentavam achar justificativas pras atividades criminosas — afinal, como essa pessoa se formou? Era um modo de evitar que mais criminosos/desviantes se formassem, tentando entender a origem do problema. As teorias que surgiram a princípio culparam a genética, a fisionomia, coisas inerentes ao homem, nada relacionado ao meio onde ele vivia. Até que o migo Durkheim chegou e "Peraí, tá dando ruim isso aí" [uma coisa que Deus deveria ter falado pra Hyosung/Takuya]. Então ele chegou a brilhante conclusão de que o problema do crime estava — ta-da! — na sociedade e não nas pessoas. E que era um fenômeno social normal, pelo simples motivo que todo lugar tinha um índice de criminalidade. O problema morava em quando esse índice ultrapassava a média. Então, dizia ele, tá rolando alguma treta com a integração social das pessoas. O que é exatamente o caso da nossa pátria idolatrada, salve, salve)

Quando a gente fala de leis construídas para a sociedade, o papel das estatísticas é essencial pra reafirmar um ponto. Não devemos nos focar em pontos específicos — ex: Conheço/conheci várias pessoas que já foram estupradas e assassinadas por menores, etc. —, mas na figura geral da coisa toda. Na maior parte dos casos — não sei o número exato — a maior parte dos crimes cometidos por menores têm a ver com roubo, assalto, furto. A criança roubou a bolsa de uma senhorinha que estava atravessando a rua, a criança pegou o celular que uma moça colocou na bancada enquanto ela não estava olhando, a criança ameaçou um estudante com uma faca se ele não desse o dinheiro do lanche para ele. Esses casos são os mais comuns, logo, os que são considerados com mais cuidado. (A coisa do estupro entra no âmbito da rape culture, o que me lembra que eu PRECISO fazer um post sobre isso.) Agora, porque vocês acham que o menor tem a necessidade de roubar? Porque ele não presta, porque ele não vale nada, porque ele é um merda?

Não, gente. Pensem fora da casinha um pouco. Não vai doer.

Acompanha meu raciocínio, galerinha do barulho. A maior parte dessas crianças, desses menores, têm origem nas periferias. Das classes baixas, geralmente, cujos pais mal ganham o suficiente pra se sustentar. Vamos nos colocar na cabeça dos pais — apesar dos pesares, querem ver o filho com uma educação decente. Querem vê-lo ostentando um diploma, mostrando que superaram todas as dificuldades e preconceitos que passaram por serem fãs de Sunny Hill pobres. Porém, a única alternativa ao alcance deles é colocá-los numa escola pública, mesmo conhecendo a fama de lá. Mesmo sabendo que a educação pública do Brasil é pior que solo do Jaehyo, é melhor do que nada. Os filhos deles, estudando nos colégios públicos e vivendo a vida que vivem, estão sempre expostos ao lado obscuro e podre da sociedade. Eles veem o crime sob uma luz completamente diferente da que os jovens de classe média veem. Afinal, os caras que deveriam combatê-lo e defender a todos, sem exceção, e fazê-los se sentirem seguros cometem as atrocidades mais absurdas, racistas e ridículas contra os próprios moradores! O que vocês acham que um menino que acaba de voltar do colégio sente quando descobre que um tiozinho que vendia bala perto do ponto de ônibus foi espancado e morto por um policial por nenhum motivo específico? "Filhas da puta. Podia ter sido eu, meu irmão, minha mãe, ou qualquer outra pessoa próxima a mim". Eu penso assim, por Deus.

Qualquer pessoa normal pensaria desse jeito. Quando isso faz parte da rotina, >ninguém< pensa em defender o lado dos policiais. Existe uma vilanização daqueles que lutam contra o crime por motivos completamente plausíveis. Como culpá-los? 

Mas, Jenny, você não é a favor da redução da maioridade penal só por causa disso? Existem pessoas de origens humildes que nunca entraram pra criminalidade!! Lá vem você com as exceções, vozinha imaginária com as perguntas toscas que eu faço pra mim mesma. O fato é que, para se eliminar um problema por completo, é preciso focar na raiz do problema. No que causa essa coisa toda. Além do mais... Não é o único motivo pelo qual eu não sou a favor da redução da maioridade penal.

Vamos imaginar que essa lei foi aprovada. Pra onde irão os menores que cometem crimes? Pra cadeia, né. Isso é uma coisa boa, Jenny!! Os meliantes vão para o lugar que merecem ir, né? Num mundo perfeito, sim, minha cara vozinha. Mas o nosso queridíssimo país tá loooonge de ser perfeito, ainda mais quando se diz respeito a esse sistema. 

Um fato básico: O Brasil tem uma das maiores populações carcereiras DO MUNDO. E poucas cadeias para comportar essa quantidade massiva de gente. Ou seja — as prisões estão superlotadas. As condições tão um horror. Não dá pra um ser humano viver naqueles troços. E será que nós estamos nos esquecendo da ideia principal do OBJETIVO das cadeias?? Os bandidos entram e evaporizam da sociedade?? Desaparecem?? São pulverizados por pensamento?? Não, cara, o grande objetivo disso tudo (e das punições no geral) é criar uma >consciência< nas pessoas sobre o que elas fizeram e espera-se que elas reflitam, se arrependam e tentem se reconstruir dentro da sociedade. O problema é que, na nossa sociedade atual, entrar no mundo do crime é quase um caminho sem volta se você for pego. Você entra no mundo do crime, porque é tão fácil ser conduzido a ele e achar que aquele é o caminho certo, e é preso por isso. Beleza. Você cumpre seu regime, sai da cadeia e vamos supor que se arrepende de todos os crimes que cometeu (o que é raro e eu já vou citar o porquê). Suas chances de se reconstruir como um cidadão digno são quase nulas, porque você não vai ter oportunidades de emprego, levando em conta o seu "currículo" de ex-prisioneiro.

E, com certeza, você vai preferir voltar para o mundo do crime. Porque, além de ser mais fácil, vai te garantir condições de vida bem melhores do que se você continuar lutando e procurando um emprego que te aceite. E, mesmo se aceitar, com um salário beeem abaixo da média. E de tratamento de bosta já basta a cadeia, né?

Agora, pra finalizar o post, vamos pensar no que aconteceria se a redução de maioridade penal acontecer. Pra quem não sabe (pt.2), essa redução está prestes a ser posta em prática e eu tempo pelo cu do Brasil quando/se isso acontecer. É por isso que eu resolvi fazer essa postagem, aliás.

Essa redução vai ser ótima para os políticos — é uma espécie de easiest way out pra eles. Menos dinheiro sendo gasto em educação, saúde, saneamento, o que realmente reduziria a criminalidade de vez, e mais dinheiro gasto na construção de mais presídios (e não vão mover nem um dedo para fazer a manutenção dos antigos). Logo, com menos dinheiro gasto nessas áreas, vão ter menos crianças na escola. E, mesmo se estiverem, com uma educação muito abaixo do razoável. Então, pensa comigo aqui, elas vão ser aliciadas pelos traficantes com mais facilidade, né?? É. Aí o meliantezinho vai pra cadeia, pega 10 anos de pena, sendo tratado pior que animal, vivendo sob condições inabitáveis. Quando sair, vai querer OBVIAMENTE se redimir com o sistema que jogou ele às margens da sociedade. Vai procurar um emprego, ser rejeitado milhões de vezes e ficar amargo. Mas não vai voltar a roubar, não vai voltar a vender drogas!! Até porque viver na fome, na miséria, sem ter lugar que o receba é bem melhor, né!!

Amores, o índice de criminalidade não vai diminuir. Vai acontecer o inverso, aliás. E os presídios vão superlotar. E um monte de coisa bosta vai rolar. É só parar pra pensar um pouco que você vai ver que as estatísticas tão comprovando tudo o que eu digo. É questão de raciocínio lógico. Mas né... Raciocinar não é uma coisa que pertence aos Classe Média/Elite. Ainda mais quando se trata de *coughs* pobres.

Agora, pra acabar com a negatividade desse texto, vamos iluminar um pouco esse post e a alma dos que os leem.


MO NENEM. MO BEBE. Existe criança mais preciosa nesse mundo de Deus??? Não, não existe. Amo muito. Amo de montão, Salvação de Block B e da minha alma tbqh. Aliás, Yeni/Ashin fighting!!!!!!